COEM 2º ano



1ª AULA - PARTE A - FORMAÇÃO DOS MÉDIUNS –
[aulas dos dias 05; 12; 19 e 26 de julho]
[no dia 02/08 – debate em grupo do estudo da PARTE A]

Não existe um processo de formação de médiuns e um diagnóstico para a mediunidade. O mais aconselhável é uma orientação, um esc1arecimento positivo, a fim de que os médiuns possam desenvolver-se com equilíbrio e segurança.
Médium do latim - médium, meio, intermediário - Pessoa que pode servir de intermediária entre os Espíritos e os homens. É o traço de união aos Espíritos.
Os Médiuns são os intérpretes incumbidos de transmitir aos homens os ensinos dos Espíritos; ou melhor, são os órgãos materiais de que se servem os Espíritos para se expressarem aos homens por maneira inteligível. Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou menos, médiuns. Todavia, usualmente, assim só se qualificam aqueles em quem a faculdade mediúnica, se mostra bem caracterizada e se traduz, por efeitos patentes, de certa intensidade.
Segundo Emmanuel em "O Consolador" questão 382 é "Luz que brilha na carne, atributo do Espírito, patrimônio da alma imortal, elemento renovador da posição moral da criatura terrena, enriquecendo todos os seus valores no capítulo da virtude e da inteligência, sempre que se encontra ligada aos princípios evangélicos na sua trajetória pela face do mundo.
O desenvolvimento mediúnico é disciplina. Mas, acima de tudo é amor, que se divide em milhares de atitudes que deveremos tomar como forma do bem em todas as direções. Uma vez afirmado, pelos meios adequados, que alguém é médium, deve este procurar desenvolver e educar a mediunidade. Desenvolver a mediunidade significa fazer os exercícios próprios para que a faculdade mediúnica passe da fase embrionária para a da maturidade, ou seja, dos primeiros passos, hesitantes e inseguros, para os desenvoltos. Educar a mediunidade é disciplinar o seu exercício, escoimá-lo dos vícios e maus hábitos. O desenvolvimento diz respeito à formação específica do médium, à preparação para o exercício da mediunidade de modo seguro e satisfatório.
Já a educação tem por objeto disciplinar o uso da faculdade, de modo a evitar os seus escolhos, o seu mau uso. O médium deseducado se torna joguete dos Espíritos inferiores.
No sentido Espírita, desenvolver mediunidade é aprimorar nossa capacidade de relacionamento com os Espíritos. É nossa educação psíquica. Entretanto, não há uma receita universal e infalível para a formação dos médiuns. Cada um traz em si o gérmen das qualidades necessárias para se tomar médium, tais qualidades existem em graus diferentes e o seu desenvolvimento depende das causas que não são controladas pela vontade. As regras de poesia, da pintura e da música não transformam as pessoas em poetas, pintores ou músicos. Apenas guiam os que as cultivam, no emprego de suas faculdades naturais. O mesmo acontece com o desenvolvimento e educação da mediunidade.
O objetivo consiste em indicar os meios de desenvolvimento da faculdade mediúnica, tanto quanto permitam as disposições de cada um, e, sobretudo, dirigir a mediunidade para que seja usada de um modo útil, quando ela exista.
Das múltiplas formas de comunicação mediúnica, a psicografia é certamente a mais segura, a mais completa e a mais fácil de fiscalizar,
São eles, os médiuns escreventes ou psicógrafos. Foi pela psicografia que Allan Kardec deixou as obras da codificação.
As comunicações escritas de efeitos inteligentes podem ser:

1- Mecânicas                >Médiuns mecânicos ou Autômatos
2- Semi-mecânicas        >Médiuns Semi-mecânicos
3- Intuitivas                   > Médiuns Intuitivos
4- Inspiradas                 > Médiuns Inspirados

Os médiuns mecânicos não têm consciência do que escrevem. O Espírito expressa o seu pensamento agindo, diretamente sobre a mão do médium, de forma a não ocorrer influência por parte do pensamento do intermediário. O médium é um agente passivo, pois, ele toma conhecimento do pensamento do Espírito depois que escreveu. A escrita às vezes é legível e limpa, em outras, é ilegível, com muita dificuldade para ser lida.
Os médiuns semi-mecânicos são os médiuns que sentem uma impulsão dada à sua mão, para escrever, mas, ao mesmo tempo tem consciência do que escrevem. O médium toma conhecimento do pensamento do Espírito, no mesmo instante que escreve.
No caso dos médiuns intuitivos, a escrita pode dar-se pela transmissão do Espírito do médium, ou melhor, de sua alma. O Espírito em liberdade toma a mão e a guia. O papel da alma aqui não é de inteira passividade, pois recebe o pensamento do Espírito livre e o transmite com plena consciência do que escreve embora muitas vezes fora dos limites do conhecimento do médium.
O médium inspirado recebe pelo pensamento comunicações estranhas às suas idéias preconcebidas. A inspiração vem dos Espíritos que os influenciam para o bem ou para o mal, dependendo aí da elevada posição moral do médium ou não, suas intenções boas ou más.
Kardec nos alerta para que cada um invoque com fervor e confiança nosso anjo protetor, em caso de necessidade e frequentemente nos admiraremos das ideias que surgem como por encanto na mente.
As condições mais importantes no desenvolvimento da faculdade mediúnica são:
1 - A transformação interior à luz do Evangelho.
2 - A vontade firme de ser o intermediário entre o Mundo Espiritual e o Material.
Pode acontecer a mudança de caligrafia com médiuns mecânicos ou semi-mecânicos, porque neles é involuntário o movimento das mãos, o qual é dirigido unicamente pelo Espírito comunicante. Nos médiuns puramente intuitivos isto não ocorre porque o Espírito apenas atua sobre o pensamento, sendo a mão dirigida pela vontade do médium. A mudança de caligrafia decorre de uma aptidão especial, de que os médiuns mais decisivamente mecânicos nem sempre são dotados. São os médiuns designados por médiuns polígrafos.
"A faculdade mediúnica está sujeita a intermitências e a suspensões momentâneas, tanto para as manifestações fisicas, quanto para a escrita.".
Os médiuns não devem considerar-se melhor do que outros ou do que outras pessoas, nem sua mediunidade deve ser motivo de vaidade, de orgulho, mas sim uma tarefa de servir, uma missão a ser cumprida, com fraternidade e desinteresse. Existem médiuns que manifestam repugnância ao uso de suas faculdades. São os médiuns imperfeitos: desconhecem o valor da mediunidade.
A faculdade mediúnica pode ser interrompida temporariamente, por diferentes motivos:

1. ADVERTÊNCIA: Prova para o médium que ele é um simples instrumento, que sem o concurso dos Espíritos nada faria. Se o médium se conduz mal, moral e doutrinariamente, fazendo mau uso ou abusando de sua faculdade, o Espírito comunicante afasta-se em busca de um médium mais digno. Neste caso, quase sempre, os maus Espíritos se apoderam do médium para obsediar e enganar.

2. BENEVOLÊNCIA: É um benefício ao médium para evitar que ele se debilite por doença fisica. Quando as forças do médium se agitam, seu poder de defesa fica reduzido. Neste caso, a suspensão é temporária; O Espírito lhe proporciona um repouso fisico necessário.

3- PROVAÇÃO: O objetivo é desenvolver a paciência, a perseverança, para dar tempo ao médium para reflexão sobre o conteúdo das mensagens recebidas, como também, fazer um exame interior, estudar, ponderar, pensar, analisar como esta empregando a sua faculdade mediúnica.
É importante ainda esclarecer que a perda da mediunidade nem sempre significa uma punição pelo abuso ou mau uso da faculdade, pode acontecer que seja um encerramento de uma determinada tarefa, o início de uma outra tarefa ou até mesmo um trabalho específico na área da saúde, pesquisa, etc. que demanda um esforço maior, o que importa na realidade é servir com amor, humildade e fraternidade em qualquer setor que estivermos na Seara do Mestre Jesus.
Conforme esclarece-nos Joanna D' Angelis, através do médium Divaldo P. Franco, a verdade é que todos nós estamos interligados, em ministério mediúnico ativo, incessante, graças aos múltiplos dons de que nos achamos investidos. Aprimorar ou descuidar da nossa faculdade mediúnica, relegando-a a plano secundário, é responsabilidade que cada um exerce mediante o próprio livre arbítrio. Assim sendo, se faz necessário meditarmos nas possibilidades mediúnicas de que nos encontramos investidos e elevar-nos pelo exercício das ações nobilitantes, de modo a desenvolvermos os recursos positivos na realização do bem a que o Senhor a todos nos convoca.

Bibliografia:
 KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns, 2ª Parte – Cap. XVII
XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Seara dos Médiuns: item Formação Mediúnica
XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Opinião Espírita: n°20
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos - Introdução: item V e XII
PERALVA, Martins. Estudando a Mediunidade: Cap. 7 - Médiuns
MIRANDA, Hermínio C. Diálogo com as Sombras: Cap. 2 - Os Médiuns
XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Conduta Espírita: Cap. 27
FRANCO, Divaldo Pereira (Espírito Joana de Angelis). Convites da Vida: item 30
XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). O Consolador: questão 382.

PARTE B -  PARÁBOLA DOS TALENTOS
[aula do dia 09/agosto/2012]

Alguns dias ante de ser crucificado Jesus subiu ao Monte das Oliveiras e com seus discípulos contou-lhes a Parábola dos Talentos.
Talento era o peso e moeda da Antiguidade grega e romana, que servia para uso corrente no comercio e também para avaliar metais preciosos, porém de vários padrões de acordo com a espécie de metal.
Jesus Cristo, valendo-se da circunstância e da importância que davam ao dinheiro, deixou essa maravilhosa parábola:
"Porque isto é também como um homem que, partindo para outro país, chamou os seus servos e lhes entregou os seus bens: a um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um; a cada qual segundo a sua capacidade; e seguiu viagem. O que recebera cinco talentos, foi imediatamente negociar com eles e ganhou outros cinco; do mesmo modo o que recebera dois, ganhou outros dois. Mas o que tinha recebido um só, foi-se, fez uma cova no chão e escondeu o dinheiro do seu senhor. Depois de muito tempo voltou o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles. Chegando o que recebera cinco talentos, apresentou-lhes outros cinco, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos: aqui estão outros cinco que ganhei. Disse-lhe o seu Senhor: Muito bem, servo bom e fiel, já que foste fiel no pouco, confiar-te-ei o muito; entra no gozo do teu Senhor. Chegou também o que recebera dois talentos, e disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; aqui estão outros dois que ganhei. Disse-lhe o seu Senhor: Muito bem, servo bom e fiel, já que foste fiel no pouco, confiar-te-ei o muito; entra no gozo do teu Senhor. E chegou por fim o que havia recebido um só talento, dizendo: Senhor, eu sei que és homem severo, que ceifas onde não semeaste e recolhes onde não joeiraste; e, atemorizado, fui esconder o teu talento na terra; aqui tens o que é teu. Porém o seu Senhor respondeu: Servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei, e que recolho onde não joeirei? Devias, então, ter entregado o meu dinheiro aos banqueiros, e, vindo eu, teria recebido o que é meu com juros! Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem os dez talentos; porque a todo o que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem ser-lhe-á tirado. Ao servo inútil, lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes." (Mateus, XXV, 14-30.)

A Parábola dos Talentos tem a mesma significação que a Parábola das Minas, narrada por Lucas, XIX: 11-27, porque exprimem os deveres que nos assistem, material e moral. Somos todos filhos de Deus; o Criador reparte com todos igualmente os seus dons; a uns dá mais, a outros dá menos, sempre de acordo com a capacidade de cada um. A uns dá o dinheiro, a outros a sabedoria, a outros dons espirituais, e, a outros concede todas essas dádivas reunidas. De modo que um tem cinco talentos, outro dois, outro um; ou então um tem dez minas, outro cinco, outro duas. Não há privilégios nem exclusões para o Senhor; e se cada qual, cônscio do que possui e compenetrado de seus deveres agisse de acordo com os preceitos da Lei Divina, ninguém teria razão de reclamar da sorte.
De forma que, o Senhor a que se refere à parábola é Deus, os servos somos todos nós, é a humanidade; os talentos são os bens e recursos que a Providência nos outorga para serem empregados em beneficio próprio e de nossos semelhantes; o tempo concedido para a sua movimentação é a existência terrena.
Não existe um só indivíduo no mundo que não seja depositário de um talento ou de duas minas. A distribuição de talentos em quantidades desiguais, ao contrário do que possa parecer, nada tem de arbitrária nem de injusta, pois, baseia-se na capacidade de cada um, adquirida antes da presente encarnação, em outras jornadas evolutivas. Toda criatura ao reencarnar, traz consigo o compromisso de realizar tarefas ao seu favor e também a favor de seus semelhantes.
Assim, a parábola trata-se de uma advertência aos que não fazem bom uso das oportunidades que Deus lhes concede, quando do desempenho do aprendizado terreno. Existem pessoas que guardam os talentos recebidos egoisticamente, tudo para si, enterrando os talentos, não beneficiando nem a si e nem ao seu próximo. Deixam passar a oportunidade de servir.
Os servos que fizeram que os talentos se multiplicassem representam os homens que sabem cumprir a vontade de Deus, empregando bem a inteligência, a sabedoria, a autoridade, a saúde ou os dons com os quais foram aquinhoados. É o homem diligente. O servo que deixou improdutivo o talento, falhando na incumbência que lhe fora confiada, simboliza os homens que perdem as oportunidades oferecidas pela Providência para a evolução espiritual. É o homem negligente.
As oportunidades chegam através de uma enfermidade a ser sofrida com paciência, de um grande dissabor a ser recebido sem desespero, de um filho rebelde a ser tratado com especial atenção e carinho, de uma injustiça a ser tolerada sem revolta, de um inimigo gratuito a ser conquistado com amor, etc. retardando assim, o seu progresso.
No campo de mediunidade esta parábola tem aplicação integral. Quantos indivíduos são providos desta faculdade e, por tantas razões particulares, deixam de exercê-la, deixando de praticar o bem para si e para o próximo. Um por ignorância, outro por crença religiosa; este por preguiça aquele por negligência, outro ainda por falta de tempo, enfim, enterram os seus talentos ao invés de se tomarem diletos discípulos de Jesus. Como exemplo, podemos citar Paulo de Tarso que soube aplicar e multiplicar os talentos recebidos. Enquanto religioso apegado às tradições farisaicas e distanciando da verdade era perseguidor implacável dos cristãos, havia então enterrado os seus talentos, mas, quando recebeu na estrada de Damasco, o convite para seguir Jesus, não hesitou e transformou-se no maior defensor da divulgação cristã.
Mas, a quem muito foi dado, muito será pedido. Teremos que prestar constas de tudo aquilo que nos foi confiado, na mesma proporção que tenhamos recebido. Não há privilégios nem exclusões, pois, casa um recebe de acordo com a sua capacidade e com o seu merecimento adquirido em existências anteriores.
Existem pessoas que guardam egoisticamente para si tudo aquilo que recebem, "enterram os seus talentos", não beneficiando nem a si, nem ao seu próximo.
Tanto elas quanto os talentos ficam improdutivos.
Quais são esses talentos? São as nossas virtudes e conquistas espirituais que repartimos com os nossos próximos. A palavra usada para consolar e dar ânimo ao desalentado, a roupa confeccionada para aquecer o que passa frio, o enxoval ofertado à criança carente de recursos materiais, a capacidade de participar de trabalhos voluntários, renunciando muitas vezes ao descanso, etc...
São as aptidões intelectuais, manuais e artísticas que nos permitem termos uma profissão e provermos a nossa subsistência e a de nossos familiares e amigos.
São os talentos morais que nos levam a ter uma convivência fraterna com os nossos semelhantes.
São os talentos espirituais que, através da mediunidade manifestada em formas diversas: intuição, psicofonia, psicografia, vidência, nos permitem trabalhar na Assistência Espiritual em Casas Espíritas.
Devemos aplicar os talentos e outros bens que recebemos para aumentar o nosso cabedal de conhecimentos para, quando voltarmos ao mundo espiritual, fazermos jus à recompensa, traduzida nas palavras:
"Servo bom e fiel, foste fiel no pouco, muito te será confiado".

O Espiritismo é a grande luz de libertação das consciências ainda embotadas na materialidade e o médium esclarecido e evangelizado será, sempre, ele mesmo o portador da mensagem cristã, exemplificando o amor, levando a luz e a esperança onde quer que esteja.

Bibliografia:
 KARDEC, Allan. Livro dos Médiuns
ALMEIDA, José de Sousa. As Parábolas
GODOY, Paulo Alves de. As Maravilhosas Parábolas de Jesus
XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Opinião Espírita: Lição 14
RIGONATTI, Elizeu. Evangelho dos Humildes – Cap. 25
BIBLIA SAGRADA. 1º Livro de Crônicas: Cap. 22:14
CALLIGARIS, Rodolfo. Parábolas Evangélicas
SCHUTEL, Cairbar. Parábolas e Ensinos de Jesus
RIGONATTI, Eliseu. Evangelho dos Humildes: Cap. 25

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2ª AULA - PARTE A - MÉDIUNS ESPECIAIS E SUAS APTIDÕES

QUADRO SINÓTICO DOS TIPOS DE MEDIUNIDADE
Os médiuns, como intermediários, entre a esfera espiritual e a esfera física, evidentemente, transmitem uma mensagem, e, para que estas mensagens se reflitam em boas comunicações, três condições devem ser observadas, disse Kardec:
a) A qualidade do médium: sua natureza, evangelização, conhecimento, estudo da Doutrina, conscientização de que é um instrumento, aplicação do seu trabalho para o Bem, etc.
b) A qualidade do Espírito que transmite a mensagem: seriedade da mensagem, conhecimento ou ignorância, bondade ou interesse. "A natureza das comunicações está sempre relacionada com a natureza do Espírito e traz o cunho da sua elevação, ou da sua inferioridade, do seu saber, ou mesmo da sua ignorância." (L.M. – cap. XVI, item 185).
c) A intenção e sentimento, o pensamento íntimo: mais ou menos louváveis de quem interroga o Espírito, quando for o caso. Diz-se que todos os homens são médiuns, dada a condição de associação das correntes mentais, mas em alguns, ela se apresenta de forma mais evidente que em outros e manifesta-se de múltiplas maneiras. A mediunidade apresenta uma variedade infinita de matizes.
Perguntou-se a Emmanuel, em O Consolador, questão 386:
"Qual a mediunidade mais preciosa para o bom serviço da Doutrina?
" - Ninguém deverá forçar o desenvolvimento dessa ou daquela faculdade, porque, nesse terreno, toda a espontaneidade é necessária; observando-se, contudo, a floração mediúnica espontânea, nas expressões mais simples, deve-se aceitar o evento com as melhores disposições de trabalho e boa vontade, seja essa possibilidade psíquica a mais humilde de todas. Não existe mediunidade mais preciosa uma que a outra".
Na questão 388, perguntou-se:
"Nos trabalhos mediúnicos temos de considerar, igualmente, os imperativos da especialização?"
Num trecho de sua resposta disse: "A especialização na tarefa mediúnica é mais do que necessária, e somente de sua compreensão poderá nascer a harmonia na grande obra de divulgação da verdade a realizar".
No capitulo XVI do Livro dos Médiuns, Kardec apresenta um quadro sinótico dos principais gêneros de mediunidade, as diferentes variedades mediúnicas, pelas semelhanças de causas e efeitos, embora afirme que não se trata de uma classificação absoluta. E, salienta que esta classificação foi trazida pela Espiritualidade Maior.

Dividiram então os Espíritos, os médiuns em duas grandes categorias (L.M. – Cap. XVI item 187):

a) Médiuns de efeitos físicos: os que têm o poder de provocar efeitos materiais, ou manifestações ostensivas.

b) Médiuns de efeitos intelectuais: os que são mais aptos a receber e a transmitir comunicações inteligentes.


MÉDIUNS DE EFEITOS FÍSICOS (L.M., Cap. XVI, item 189)

1) Tiptólogos Ruídos, pancadas, etc.
2) Motores Movimento de corpos inertes
3) Translações e suspensões Levitação, suspensão de corpos, transportes, deslocamentos de objetos
4) Efeitos musicais Execução de música, sem contato com o aparelho ou instrumento musical
5) Aparições Que provocam as aparições fluídicas e tangíveis. Materializações visíveis e tangíveis. Muito raros.
6) Noturnos Só obtém certos efeitos físicos na obscuridade
7) Pneumatógrafos Escrita direta
9) Excitadores São os que mediunizam, magneticamente, outros médiuns, para levá-los ao desenvolvimento

MÉDIUNS DE EFEITOS INTELECTUAIS (L.M., Cap. XVI, item 190)

1) Audientes Os que ouvem os Espíritos
2) Falantes Os que falam sob influência dos Espíritos.
O nome mais utilizado hoje é Psicofonia
3) Videntes São os que vêem os Espíritos em estado de vigília
4) Inspirados Recebem os pensamentos sugeridos pelos Espíritos, na maioria das vezes, sem o saberem
5) Pressentimento Têm uma vaga intuição de ocorrências vulgares do futuro
6) Proféticos Recebem revelações de ocorrências futuras, de interesse geral, com fins instrutivos
7) Sonâmbulos Os que, em transe sonambúlico, são assistidos por Espíritos
8) Extáticos Recebem revelações dos Espíritos, em estado de êxtase
9) Pintores ou desenhistas Os que pintam ou desenham. Hoje, denomina-se, mais frequentemente, de Psicopictoriogra, Psicopictografia ou Pintura Mediúnica
10) Musicais Executam, compõem ou escrevem músicas, sob a influência dos Espíritos
11) Psicógrafos Escrevem sob a influência dos Espíritos

VARIEDADES DE MÉDIUNS ESCREVENTES OU PSICÓGRAFOS:

a) Segundo o modo de execução
(L.M., Cap. XVI, item 191):

1) Mecânicos Inconscientes, recebem impulso involuntário na mão
2) Semi-mecânicos Recebem impulso involuntário na mão, mas têm, instantaneamente, ou seja, ao mesmo tempo, consciência das palavras que estão escrevendo
3) Intuitivos Registram o pensamento que lhes é sugerido, mas escrevem por vontade própria
4) Polígrafos Mudam de caligrafia
5) Poliglotas Falam e escrevem em línguas que não conhecem
6) Iletrados São os analfabetos, que escrevem sob influência dos Espíritos


b) Segundo o desenvolvimento da faculdade
(L.M., Cap. XVI, item 192):

1) Novatos Não-desenvolvidos, nem têm experiência necessária
2) Improdutivos Recebem sinais sem importância; limitados
3) Formados São os desenvolvidos, que transmitem comunicações com facilidade e presteza
4) Lacônicos Comunicações breves
5) Explícitos Comunicações amplas e extensas, como um escritor consumado
6) Experimentados Têm facilidade para escrever; são experientes
7) Flexíveis Prestam-se aos diversos gêneros de comunicações, inclusive com diferentes Espíritos
8) Exclusivos Manifestações de um único Espírito
9) Evocações São os que, tendo condições intelectuais mais amplas (nem sempre da encarnação atual), se prestam a intermediar as comunicações dos Espíritos evocados
10) Ditados espontâneos Recebem comunicações espontâneas de Espíritos não chamados

c) Segundo o gênero e a parcialidade das comunicações
(L.M., Cap. XVI, item 193):

1) Versificadores Comunicações em versos
2) Poéticos Comunicações poéticas, ternas, sentimentais
3) Positivos Comunicações com nitidez e precisão
4) Literários Estilo correto, elegante, eloqüente
5) Incorretos Imprecisos na linguagem, por falta de cultura
6) Historiadores Dissertações históricas
7) Científicos Explanação científica; Não quer dizer que são sábios;
8) Medicinais Recebem prescrições médicas; são os receitistas;
9) Religiosos Comunicações de caráter religioso
10) Filósofos ou Moralistas Questões morais e filosóficas
11) Triviais e obscenos Comunicações fúteis, sem proveitos, imorais

d) Segundo as qualidades físicas do médium
(L.M., Cap. XVI, item 194):

1) Calmos Escrevem lentamente, sem agitação
2) Velozes Escrevem com rapidez inabitual
3) Convulsivos Permanecem em estado de superexcitação quase febril, e, às vezes, dependem da natureza do Espírito

e) Segundo as qualidades morais do médium

Médiuns Imperfeitos
(L.M. , Cap. XVI, item 195):

1) Obsedados Com ligações inoportunas e mistificadoras
2) Fascinados Os enganados pelos Espíritos mistificadores
3) Subjugados Dominados moralmente por Espíritos maus
4) Levianos Não levam a sério suas faculdades
5) Indiferentes Não tiram proveito das instruções recebidas
6) Presunçosos Têm a pretensão de estar em relação somente com Espíritos Superiores
7) Orgulhosos Os que se envaidecem com as comunicações recebidas
8) Suscetíveis Ofendem-se com as críticas e gostam de ser bajulados
9) Mercenários Exploram as suas faculdades
10) Ambiciosos Sem vender suas faculdades, esperam delas tirar proveito
11) Má fé Simulam faculdades que não possuem, para parecerem mais importantes
12) Egoístas Guardam para si mesmos as comunicações recebidas
13) Invejosos São os que se mostram despeitados com o maior apreço dispensado a outros médiuns

Bons Médiuns
(L.M. , Cap. XVI, item 197):

14) Sérios Utilizam suas faculdades para o Bem e com finalidade útil
15) Modestos Não se atribuem nenhum mérito nas comunicações recebidas e não se julgam livres de mistificações
16) Devotados Abnegados, sacrificam-se para o Bem
17) Seguros Têm facilidade para recepção, merecem maior confiança dos Espíritos. São fluentes, desembaraçados e dignos


Além destas classificações, podem-se anotar outras comuns a todos os gêneros de mediunidade:

BENFEITORES

1) Médiuns Sensitivos:
São pessoas suscetíveis de sentir a presença dos Espíritos por uma sensação geral ou local, vaga ou material, segundo Kardec (L.M., Cap. XVI, item 188).

2) Médiuns Naturais ou Inconsciente:
Produzem fenômenos espontaneamente, sem querer, e, na maioria das vezes, à sua revelia

3) Médiuns Facultativos ou Voluntários:
São os que têm o poder de provocar os fenômenos por um ato da própria vontade

Disse o Espírito Sócrates no Capítulo XVI, item 197, do Livro dos Médiuns, que "este quadro é de grande importância, não só para os médiuns sinceros que procuram de boa-fé, ao lê-lo, preservar-se dos escolhos a que estão expostos, mas também para todos os que se servem dos médiuns, pois lhes darão a medida do que podem racionalmente esperar e as conseqüências de suas escolhas, dentro da mediunidade".

Bibliografia:
KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns: Cap. XVI

PARTE B - BENFEITORES

São considerados benfeitores espirituais os mensageiros de Deus, que executam a sua vontade e ajudam os homens, no decurso de suas provações e expiações terrenas, inspirando-lhes bons sentimentos e orientando-os, quando se deparam com o sofrimento nas estradas da vida. A ação desses benfeitores se faz sentir, quando os homens estão em estado de vigília, como durante o sono, quando os Espíritos recobram uma parte de sua liberdade.
Esses amigos do Mundo Maior acordam a esperança e restauram o bom ânimo nos que vêem a braços com assédios de ordem espiritual, sendo lícito, no entanto, recordar em nome da Boa Doutrina que a tarefa de sustentação pertence aos próprios homens.
No Antigo, bem como no Novo Testamento, são pródigos na demonstração dos efeitos benéficos da ação desses benfeitores espirituais sobre os encarnados. Um caso típico ocorreu com o Centurião Cornélio, na cidade de Cesaréia, o qual, sendo um homem caridoso e dotado de elevados dotes morais e de bons sentimentos, recebeu em sua casa a visita de um Espírito Benfeitor, que lhe recomendou enviar mensageiros à cidade de Jope, a fim de convidar o apóstolo Simão Pedro a ir esclarecê-lo sobre as verdades novas trazidas por Jesus Cristo.
Eles permanecem em constante diálogo mental, sugerindo o melhor caminho. Não esperam que o homem se transforme em anjo, para ajudá-lo, mas atuam de maneira direta em seu favor até que possa abrir os olhos e enxergar os propósitos de Deus, no seu destino.
Então, o homem começará a elevar-se e a identificar-se com os benfeitores que lhe ampararão os passos. Foi por isso que Kardec, na pergunta 464, de O Livro dos Espíritos, ao indagar: "Como distinguir se um pensamento sugerido procede de um bom Espírito ou de um Espírito mau?" Responderam os Espíritos: "Estudai o caso. Os Bons Espíritos só para o Bem aconselham. Compete-vos discernir".
Esta distinção deverá ser feita com a mente e com o coração. A mensagem de um benfeitor será sempre em termos claros e objetivos. Mesmo que o médium seja pouco instruído, a mensagem do Espírito, dita com simplicidade, conterá profundos recursos de moral e trará conhecimentos para os ouvintes.
Sua mensagem é repleta de conceitos amorosos e fraternos.
Mesmo que seja de ensinamentos doutrinários, suas colocações são sempre adoçadas pelo sentido fraternal. Não há nos benfeitores aspereza, azedume ou crítica mordaz, nem elogios, enaltecimento da personalidade do médium ou de qualquer interessado. Até quando não concordar com uma postura irascível e dura do médium comunicante, o Espírito Benfeitor não o critica, mas procura aconselhá-lo com termos sensatos.
A mensagem de Espíritos menos esclarecidos, por outro lado, será fútil, sem nenhum conteúdo moral. É sempre enganosa. Eles são de muita sutileza quando desejam, realmente, enganar. Procuram enaltecer o médium e se colocam na posição de grandes sábios, usando às vezes, nomes veneráveis.
Conhecem os vícios e tendências do médium e sabem como ludibriá-lo no dédalo de suas ambições pessoais. Por isso, disse Kardec cabe ao homem, e, particularmente ao médium, discernir.

Bibliografia:
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos: Perg. 464
XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Caminho, Verdade e Vida: Lição 105

Questões para reflexão:
1) Comente as condições que devem ser observadas para se obter boas comunicações.
2) Cite alguns indicativos de reconhecimento da identidade dos Espíritos.
3) Explique a diferença entre um pensamento nosso e um sugerido.
4) Explique como se caracteriza a mensagem de um bom e de um mau Espírito.

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3ª AULA - PARTE A - NATUREZA DAS COMUNICAÇÕES

Sabemos que os Espíritos são seres inteligentes atuam sobre a matéria com efeitos inteligentes comprovando sua causa. Assim um movimento de mesa, um ruído, um deslocamento de objeto que decorram da ação mental do homem ou apresentam um caráter intencional, podem ser considerados como ação inteligente.
Só isso, entretanto, limitaria o interesse por tais estudos, apesar de provar a existência das manifestações espirituais. Mas é bem diferente quando essa inteligência permite uma troca regular e contínua de idéias, não mais como simples manifestações inteligentes, mas como verdadeiras comunicações.
"O livro dos Espíritos" na questão n° 100, traz na Escala Espírita, a classificação dos Espíritos, que se fundamenta, no seu grau de desenvolvimento, elevação moral e graus de inteligência. Se atentar para essas condições, as comunicações podem ser analisadas por diferentes ângulos, porquanto elas devem refletir a elevação ou a inferioridade dos Espíritos, suas idéias, seu saber ou sua ignorância, seus vícios e suas virtudes.
Os meios de comunicações são variadissimos, diz Kardec - L.M. item 138: "Atuando sobre os nossos órgãos e sobre todos os nossos sentidos, podem os Espíritos manifestar-se à nossa visão, por meio das aparições; ao nosso tato, por impressões tangíveis, visíveis ou ocultas; à audição, pelos ruídos; ao olfato, por meio de odores sem causa conhecida".
Para facilitar esse estudo, Kardec agrupou as comunicações em quatro categorias: grosseiras, frívolas, sérias e instrutivas.
"Comunicações grosseiras são as manifestadas em termos que chocam o decoro. Só podem provir de Espíritos de baixo nível, ainda trazendo muitas impurezas da matéria, e em nada diferem das que provenham de homens viciosos e grosseiros. Não aceitam a delicadeza de sentimentos. Em trabalhos mediúnicos são Espíritos que transmitem comunicações triviais, sem nobreza, obscenas, insolentes, arrogantes e malévolas, e mesmo ímpias.
As comunicações frívolas emanam de Espíritos levianos, zombeteiros, ou maliciosos, antes astuciosos do que maus, que nenhuma importância ligam ao que falam. Como estas manifestações nada têm de malsãs, certas pessoas gostam desse tipo de comunicação e dão acesso a Espíritos que se prestam a revelar o futuro, fazer predições, dando palpites sobre o destino etc. Eles pululam entre os encarnados e aproveitam todas as ocasiões que lhes forem propícias, para se intrometerem em comunicações, conforme a curiosidade existente.
As comunicações sérias são ponderadas quanto ao assunto e elevadas quanto à forma. Têm finalidade útil, mesmo que de interesse particular. Como os Espíritos sérios não são todos igualmente esclarecidos, essas comunicações podem estar sujeitas ao erro de boa-fé, sendo, portanto falsas. Por isso, recomenda-se que todas as comunicações sejam submetidas ao controle da razão e da lógica. Aqui convém lembrar o conselho de João Evangelista (I Epistola, cap. 4:1), quando disse: "Amados, não acrediteis em todos os Espíritos, mas provai se os Espíritos são de Deus, porque são muitos os falsos profetas que levantaram no mundo".
As comunicações instrutivas possuem um caráter sério e verdadeiro. Induzem aos ensinamentos nos campos da Ciência, Filosofia e da Moral. Essas comunicações são mais profundas, quanto mais elevado e desmaterializado for o Espírito comunicante. "Somente pela regularidade e freqüência dessas comunicações é que se pode avaliar o valor moral e intelectual desses Espíritos, bem como o grau de confiança que mereçam" (LM, 2ª parte, cap. X, itens 134 a 137).
Com a crescente divulgação dos ensinamentos dos Espíritos, têm surgido cada vez mais nas Casas Espíritas, muitos trabalhadores, médiuns.
Muitos ainda, não evangelizados e ignorantes dos princípios filosóficos e morais que norteiam a Doutrina, se tornam instrumentos imaturos de comunicações e, frequentemente são envolvidos por Espíritos pseudo-sábios ou mistificadores, dando origem a comunicações grosseiras, desprovidas de valor moral, contendo erros doutrinários e de linguagem. .
Esses médiuns querendo ajudar o Centro em que trabalham, julgam estar fazendo o melhor e promovendo a divulgação das comunicações recebidas, sem uma análise criteriosa sobre a cada uma, trazendo para o meio espírita, mais confusão que esclarecimento.
Cabe ao dirigente espírita observar as recomendações de Kardec sobre o assunto consoante, mencionado em seu livro "Viagem Espírita em 1862", cap. VI.
- Evitar publicações de mensagens que são simplesmente lamentáveis, uma vez que oferecem da doutrina espírita uma idéia falsa e a expõem ao ridículo. Não se deixar levar, nas psicografias, por nomes respeitáveis, muitas vezes apócrifos. Os médiuns devem ser cuidadosos, para não se lisonjearem com o nome do comunicante ou se melindrarem com observações do dirigente ou de companheiros;
- Recolher e passar a limpo as comunicações recebidas, recorrendo-se a elas em caso de necessidade. Os Espíritos que veem seus ensinos relegados ao abandono, bem cedo deixam o grupo, fatigados.
- Fazer uma seleção e coleção das que tiverem melhor conteúdo doutrinário. Analisar, reler e tirar proveito das comunicações que poderão constituir-se num "guia moral da sociedade".
"Eis porque, repito, é necessário que saibamos distinguir aquilo que a Doutrina Espírita aceita, daquilo que ela repudia". (Allan Kardec)

Bibliografia:
KARDEC, Allan, O Livro dos Médiuns: 2ª Parte – Cap. X, nº 133 a 138
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos: Pergs. 100 a 113
KARDEC, Allan. A Viagem Espírita em 1862

PARTE B - O TEU DOM

"Não desprezes o dom que há em ti." - Paulo (I Timóteo, cap. 4:14.). Essa recomendação foi dada pelo Apóstolo Paulo à Timóteo, em relação a sua mediunidade, incentivando-o no desenvolvimento.
Recomenda ainda, o exemplo na palavra, no trato com as pessoas, no amor, no espírito, na pureza e na fé, para que o aproveitamento fosse para o bem de todos.
Na visão Espírita, onde se procura vivenciar o Cristianismo, o problema da mediunidade tem sido discutido frequentemente, em relação a parte fenomenológica, levando muitas vezes ao esquecimento da parte essencial do trabalho fraterno. Há pessoas que anseiam um desenvolvimento mais rápido de sua mediunidade, sem, contudo, lembrar que para isso é preciso muito trabalho.
Quando se compreende o dever de servir, o intercâmbio com Jesus se fará em toda parte. "o campo de lutas e experiências terrestres é a obra extensa do Cristo, dentro da qual cada trabalhador se impõe certa particularidade de serviço", diz Emmanuel (1).
A mediunidade pode e deve ser trabalhada no sentido do bem, para que possa, assim, haurir condições nobres de serviço e funcionar como instrumento propulsor ao aprimoramento espiritual.
As bênçãos conquistadas devem ser repartidas, amorosamente, com todos aqueles que necessitam, e nunca devem se comercializadas.
Todo o mérito é conquistado pelo trabalho, pelo esforço próprio de cada um. A luta é individual. É necessário que haja vontade sincera de servir ao semelhante. Neste trabalho de amor, diz Emmanuel (1): "Diariamente, haverá mais farta distribuição de luz espiritual em favor de quantos se utilizam da luz que já lhes foi concedida, no engrandecimento e na paz da comunidade. Não é razoável, porém conferir instrumentos novos a mãos ociosas, que entregam enxadas à ferrugem".
Os Apóstolos eram portadores desse dom, por isso, no Dia de Pentecostes (Atos, 2:1 a 13) ocorreu uma manifestação coletiva de suas mediunidades, como fenômenos físicos, psicofonia, sinais luminosos, etc. Os ensinamentos de Jesus foram ditados em várias línguas, aos estrangeiros que habitavam em Jerusalém (árabe, romanos, gregos, babilônios, cretenses, judeus e outros).
Desde então, os acontecimentos mediúnicos tomaram-se habituais entre eles.
No mesmo dia, o Apóstolo Pedro, fazendo uso da palavra, cita o profeta Joel dizendo: "E nos últimos dias acontecerá, diz o Senhor, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos anciões sonharão sonhos." - (Atos, cap.2:17).
"Desde esse dia, as claridades do Pentecostes jorram sobre o mundo incessantemente. Estabelecera-se a era da mediunidade, alicerce de todas as realizações do Cristianismo, através dos séculos." Emmanuel (2)

Bibliografia:
XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Vinha de Luz: Lição 127
XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Caminho, Verdade e Vida: Lição 10
BÍBLIA SAGRADA. Novo Testamento: I Epístola de Paulo a Timóteo: 4:14
BÍBLIA SAGRADA. , Novo Testamento: Evangelhos de Marcos e Mateus
BÍBLIA SAGRADA. Novo Testamento: Atos dos Apóstolos: 2:1 a 17

Questões para reflexão:

1) De acordo com a escala espírita questão 100 do Livro dos Espíritos, faça uma análise de si mesmo e identifique a ordem e a classe alcançada pelos terráqueos.
2) Faça a diferença entre uma comunicação séria e uma comunicação frívola.
3) Descreva o significado do dia de Pentecostes.
4) Explique como deve ser trabalhadas a mediunidade e quais os requisitos que ela exige para que seja bem desenvolvida.
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4ª AULA - PARTE A-
INCONVENIENTES E PERIGOS DA MEDIUNIDADE

Perante as leis soberanas que nos regem, a possibilidade de entrar em contato conscientemente com os desencarnados deve servir ao nosso progresso, evidenciando a realidade do mundo espiritual que nos envolve, e ao qual todos retornaremos, com as conseqüências morais daí decorrentes. Tudo o que dispomos, desde que bem empregados, podem contribuir para a nossa saúde integral, assim também com a mediunidade, cuja utilização criteriosa é fator de equilíbrio, ou pode criar dificuldades quando utilizada sem critérios.
Encontramos no "O Livro dos Médiuns" (2ª Parte, cap. XVIII, itens 221 e 222), importantes esclarecimentos: "a faculdade mediúnica é por vezes um estado anômalo, mas não patológico. Há médiuns de saúde vigorosa; os doentes o são por outros motivos. O exercício da faculdade mediúnica, como outro qualquer, quando não disciplinado ou bem orientado pode ocasionar perigos e inconvenientes; sendo que em certos casos é prudente, e necessário mesmo, a abstenção, ou, pelo menos, o exercício moderado, tudo dependendo do estado físico e moral do médium."
O desconhecimento da Doutrina Espírita leva algumas pessoas a julgar que a prática da mediunidade pode conduzir o médium à loucura.
No entanto, isto não acontecerá se não houver uma predisposição para isso. Quando este fato acontece, o que facilmente se identifica pelas condições psíquicas e mentais da pessoa, deve-se procurar ter os cuidados necessários, para evitar qualquer abalo que seria prejudicial. Muitas vezes, essa predisposição existente tem como causa a fraqueza moral, que torna a criatura sem forças para suportar o desespero, a mágoa, o medo, etc.
Como toda criatura possui mediunidade, as crianças também estão nestas condições. Porém os Espíritos orientam (LM, 2ª Parte, cap. XVIII, perg. 221, § 6°) "que é muito perigoso" o desenvolvimento da mediunidade na infância, "porque esses organismos frágeis e delicados seriam muito abalados e sua imaginação infantil ficaria superexcitada".
Existem casos em que a vidência, os fenômenos de efeitos físicos, e mesmo a escrita são espontâneos, são naturais nas crianças; isto não é inconveniente, é natural. Porém elas não devem ser estimuladas.
A prudência dos pais deverá afastá-las dessas idéias; no entanto, os pais orientarão quanto à moral trazida pelos ensinamentos dos Espíritos, preparando-as para a vida adulta, dentro do conhecimento doutrinário.
Não há idade precisa para a prática da mediunidade, que depende inteiramente do desenvolvimento físico, moral e, particularmente, do psíquico.
O exercício da mediunidade na criança requer cuidados e conhecimentos, para que não haja influenciação por parte de Espíritos mistificadores. Se os adultos são muitas vezes enganados por esses Espíritos, a infância e a juventude, pelas suas inexperiências, estarão muito mais sujeitas a eles. O recolhimento e a seriedade são condições essenciais para se tratar com Espíritos. Como uma criança ainda não possui esses discernimentos é imperioso que a vigilância seja exercida sobre ela, para que não tome o fenômeno por um brinquedo.
Importante ressaltar que a mediunidade deve ser evitada, por todos os meios possíveis, em criaturas que tiverem dado as menores demonstrações de excentricidade nas idéias ou enfraquecimento das faculdades mentais, preservando-se, assim, o Espiritismo dessa responsabilidade, como também a saúde mental da criatura.
Em importante obra de Leon Denis, o livro No Invisível, Cap. XXII, encontramos que: "é necessário adotar precauções na prática da mediunidade. As vias de comunicação que o Espiritismo facilita entre o nosso mundo e o mundo oculto, podem servir de veículos de invasão às almas perversas que flutuam em nossa atmosfera, se lhes não soubermos opor resistência vigilante e firme. Muitas almas sensíveis e delicadas, encarnadas na Terra, tem sofrido em conseqüência de seu comércio com esses Espíritos maléficos, cujos desejos, apetites e remorsos os atraem constantemente para perto de nós".
Ainda nesse mesmo Capítulo vamos encontrar: “as almas elevadas sabem mediante seus conselhos, preservar-nos dos abusos, dos perigos, e nos guiar pelo caminho da sabedoria, mas sua proteção será ineficaz, se por nossa parte não fizermos esforços para nos melhorarmos. É destino do homem, desenvolver suas forças, edificar ele proprio, sua inteligência e sua consciência. É preciso que saibamos atingir um estado moral que nos ponha ao abrigo de toda agressão das individualidades inferiores. Sem isso, a presença de nossos guias será impotente para nos salvaguardar".
Para que possamos ficar bastante alertas buscamos no livro “Mediunidade”, de Edgard Armond, cap. 20, importantes considerações:
"Moléstias de toda ordem, que resistem aos mais acurados tratamentos; alterações físicas incompreensíveis de causas impalpáveis que desafiam a competência e a argúcia da Medicina; complicações as mais variadas, com reflexos na vida subjetiva"...
E, ainda "angústias, depressões, ou alterações, já do mundo mental, como temores, misantropia, alheamento à vida, manias, amnésias etc., enfim, todas estas perturbações, numa ampla proporção, existem sempre esse fator mediunidade, como causa determinante e, portanto, passível de regularização".
"Muita gente toma, assim o efeito pela causa. Não é o exercício da mediunidade que traz inconvenientes ou perigos" à saúde das pessoas, mas a sua abstenção é que gera os desequilíbrios.
Cabe a cada um descobrir as causas de suas aflições, tornando-se médico de si mesmo, para tornar-se o arquiteto de seu próprio destino, porquanto o estudo constante, o trabalho, o devotamento ao bem e a vigilância auxiliam o homem e o previnem contra os desequilíbrios no exercício da mediunidade.
Diz Emmanuel (no livro "Roteiro", cap. 36) que “não há bom médium, sem homem bom. Não há manifestação de grandeza do Céu no mundo, sem grandes almas encarnadas na Terra. Em razão disso, acreditamos que só existe verdadeiro e proveitoso desenvolvimento psíquico, se estamos aprendendo a estudar e servir”.
A gestante poderá participar das Reuniões apenas para receber energias positivas. Todos os fluidos magnéticos serão direcionados ao feto que irá renascer. Os analfabetos: poderão trabalhar na mediunidade normalmente. Não sabem ler, mas o importante é a pureza de coração e sentimentos de amor e fraternidade; e a boa vontade e alegria de servirem aos Mentores espirituais.
No caso de não mais funcionar a faculdade mediúnica, isto jamais se deve ao fato de o médium ter encerrado sua tarefa, corno se costuma dizer, porque toda a tarefa encerrada com sucesso é prenuncio de nova tarefa que logo se lhe segue, e assim sucessivamente.
O que ocorre nestes casos é a perda por abuso da mediunidade ou por doença grave.

Bibliografia:

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns: 2ª Parte – Cap. XVIII
ARMOND, Edgard. Mediunidade: Cap. 20
XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Roteiro: Cap. 36
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos: Introdução: XV - A Loucura e suas Causas;
XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Nos Domínios da Mediunidade: Cap. 15
DENIS, Leon. No invisível: Cap. XXII

PARTE B - OS SÃOS NÃO PRECISAM DE MÉDICO

"E aconteceu que, estando Jesus assentado à mesa numa casa, eis que, vindo muitos publicanos e pecadores, se assentaram a comer com Ele e com os seus discípulos. E vendo isto os Fariseus, diziam aos seus discípulos: Por que come o Vosso Mestre com os publicanos e pecadores? Mas, ouvindo-os, Jesus disse: Os são não têm necessidade de médico, mas sim os enfermos. (Mateus, IX:10-12).
Jesus dirigia-se, sobretudo aos pobres e aos deserdados, porque são eles os que mais necessitam de consolação; e aos cegos humildes e de boa fé, porque eles pedem que lhes abram os olhos; e não os orgulhosos, que crêem possuir toda a luz e de nada precisar,
É evidente que se trata de um ensinamento de relevante alcance, pois tem várias facetas. Aplica-se, também, aos adeptos do Espiritismo, que, muitas vezes, admiram-se de que pessoas indignas sejam portadoras de mediunidade, e por isso mesmo, capazes de a empregarem mal. Eles participam da opinião de que essa faculdade, tão preciosa deveria ser privilégio exclusivamente de pessoas de mérito. Se assim fosse, a rigor, a mediunidade jamais se manifestaria na face da Terra.
A mediunidade decorre de uma condição orgânica e é inerente a todo ser humano, como todas as demais faculdades, ver, ouvir, falar, etc. Os homens podem fazer mal uso de todas elas em conseqüência de seu livre-arbítrio. Deus outorgou todas essas faculdades ao homem, dando-lhe a liberdade de utilizá-las como quiser; entretanto, aquele que delas abusa adquire a responsabilidade sobre seus atos. "A mediunidade é dada sem distinção, a fim de que os Espíritos possam levar a luz a todas as camadas, a todas as classes da sociedade, ao pobre como ao rico; aos virtuosos, para fortalecê-los na prática do bem; aos viciosos, para corrigi-los."
Jesus, como o grande médico das almas, durante a sua curta estada na Terra, preocupou-se muito pouco com os orgulhosos, com aqueles que se julgavam os eleitos de Deus, mas procurou, antes, os pobres, os desajustados, os humildes de coração.
Simboliza assim que o Espírito equilibrado caminha por si mesmo, no pleno uso de seu livre-arbítrio, independentemente de atenções especiais. Os que estão desequilibrados, qualquer que seja a forma em que se apresentam às doenças fisicas ou morais, devem, entretanto, ser socorridos, aliviados e reconduzidos ao caminho do bem, com a mesma alegria do pai que recebeu o retorno do filho pródigo ao lar, ou do pastor que reencontrou a ovelha perdida.
A mediunidade não implica necessariamente as relações habituais com os Espíritos superiores. É simplesmente uma aptidão, para servir de instrumento, mais ou menos dócil, aos Espíritos em geral. O bom médium não é, portanto, aquele que tem facilidade de comunicação, mas o que é simpático aos Bons Espíritos e só por eles é assistido. É neste sentido, unicamente, que a excelência das qualidades morais é de importância absoluta para a mediunidade.

Bibliografia:

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo: Cap. XXIV, itens 11 e 12;
XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Livro da Esperança: lição 79;
RIGONATTI, Eliseu. O Evangelho dos Humildes: Cap. IX;

Questões para reflexão:

1) Comente as conseqüências do exercício da mediunidade quando não há disciplina, orientação e conhecimento.
2) Explique sucintamente quando e porque a mediunidade de efeitos fisicos pode levar o médium à fadiga.
3) Analise o ensinamento de Jesus: "Os são não precisam de médico".
4) Comente a finalidade da mediunidade no atual estágio em que se encontra o homem terráqueo.

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5ª AULA - PARTE A - FRAUDES ESPÍRITAS E MISTIFICAÇÕES

FRAUDES ESPÍRITAS
As pessoas que não conhecem o Espiritismo se deixam mais facilmente se iludir pelas aparências, ao passo que um prévio e atento estudo, não só das causas e dos efeitos dos fenômenos, mas também das condições normais em que elas podem ser produzidas e das leis que os regem, as inicia no assunto e lhes fornece os meios de reconhecer a fraude, se por ventura existir.
Quando falamos de fraudes, estamos falando de efeitos, partindo desse princípio, teremos que imaginar uma infinidade de efeitos para orientar o médium, como não há efeito sem causa, o melhor é oferecermos ao médium as leis que regem os fenômenos, esclarecendo o porquê dos mesmos, para que o médium possa fazer juízo de valor se os efeitos são verdadeiros ou não à luz do conhecimento espírita. Diz Kardec em O Livro dos Médiuns 1ª Parte - Noções preliminares - Cap. III - Método, itens 29 a 34, que o melhor método para uma compreensão dos fenômenos ou uma identificação de fraude, é o conhecimento da Doutrina Espírita e afirma que chegou a essa conclusão por experiência.
Nos trabalhos fraudulentos, onde existem fenômenos que se dizem espíritas, médiuns despreparados burlam a boa fé de alguns crentes, usando falsidade.
Porque isso ocorre? Como evitar ser explorado ou enganado?
Kardec em O livro dos Médiuns 2ª Parte – Cap. XXVIII, item 314, comenta: "Os que não admitem a realidade das manifestações físicas atribuem à fraude os efeitos produzidos".
A conexão entre Espiritismo e Mediunidade leva algumas pessoas a considerá-los a mesma coisa.
A palavra mediunismo, criada por Emmanuel, designa a mediunidade em sua expressão natural, isto é, as práticas empíricas da mediunidade, que fundamentam as crenças e religiões primitivas.
Mediunidade positiva surge com o Espiritismo, somente com o Espiritismo a mediunidade se define como uma condição natural da espécie humana, recebe a designação precisa de mediunidade e passa a ser tratada de maneira racional e científica. Fatos Espíritas, assim chamados os fenômenos ou manifestações mediúnicas, são de todos os tempos, as práticas mágicas ou religiosas, constituem o mediunismo, que são práticas mediúnicas.
A Doutrina Espírita é uma interpretação racional das manifestações mediúnicas no seu tríplice aspecto: Científico, Filosófico e Religioso, mostra as leis que regem esses fenômenos e manifestações.
Os fatos mediúnicos são fatos espíritas, assim chamados por Kardec, mas não é espiritismo, porque o Espiritismo se serve dos fatos mediúnicos como de uma matéria prima para a elaboração de seus princípios, ou como de uma força natural, que se aproveita das quedas d'água ou dos rios para a produção de energia. (Livro O Espírito e o Tempo – Cap. I de Herculano Pires).
Há uma conexão entre Espiritismo e Mediunidade e que leva a muitas pessoas a considerá-los a mesma coisa, confundindo-os erroneamente.
O Espiritismo, nas suas linhas doutrinárias, estabeleceu normas seguras para o exercício da Mediunidade, classificando-a convenientemente. (Livro Estudando a Méd. cap. XL. Martins Peralva).
Todos somos médiuns, sendo espírita ou não.
As práticas do sincretismo religioso Afro- Brasileiro, não são espíritas, é um fenômeno sociológico natural.
Espiritismo é um corpo de Doutrina de elevado teor espiritual, consubstanciando normas e diretrizes superiores que visam, primordialmente, a elevação do ser humano.
Quem é o Espírita? O que estuda aceita e pratica com fidelidade os salutares princípios doutrinários, com vistas à renovação do espírito humano.
Mediunidade é uma aptidão, dom que possibilita à criatura humana, de qualquer religião, veicular o pensamento e as ideias dos espíritos.
Mediunidade faz parte de um dos princípios do Espiritismo. Portanto, Espiritismo não é mediunidade nem mediunidade quer dizer Espiritismo. (Livro Estudando a Mediunidade, Cap. XL, Martins Peralva).
Podemos distinguir a mediunidade da seguinte forma:
a) Mediunidade exercida com objetivos superiores - Mediunidade com Jesus.
b) Mediunidade exercida com interesses inferiores - Mediunidade sem Jesus.
A mediunidade que se orienta pelo espiritismo é simples, sem ritual de qualquer espécie, sua finalidade: O bem e a elevação espiritual do homem.
Mediunidade exercida em nome do espiritismo cristão será sempre um instrumento de edificação para o seu possuidor, uma vez que por ela.
Os aflitos serão consolados. Os enfermos curados. Os ignorantes esclarecidos. (Livro Estudando a Mediunidade Martins Peralva).

DAS MISTIFICAÇÕES
“Se enganar-se é desagradável, pior ainda é ser mistificado”. Aliás, é esse um inconveniente de que mais facilmente podemos nos preservar.
Os meios de desmanchar as armadilhas dos Espíritos mistificadores foram expostos nas instruções precedentes e por isso diremos pouco a respeito. Eis as respostas dadas pelos Espíritos sobre o assunto:
1. As mistificações são um dos escolhos mais desagradáveis da prática espírita. Haverá um meio de evitá-las?
- Parece-me que podeis encontrar a resposta revendo o que já vos foi ensinado. Sim é claro, há para isso um meio muito simples, que é o de não pedir ao Espiritismo nada mais do que ele pode e deve dar-vos: seu objetivo é o aperfeiçoamento moral da Humanidade. Desde que não vos afasteis disso, jamais serei mistificado, pois não há duas maneiras de se compreender a verdade moral, mas somente aquela que todo homem de bom senso pode admitir.
Os Espíritos vêm instruir-vos e guiar-vos na rota do bem e não na das honrarias e da fortuna ou para atender ás vossas pequeninas paixões. Se jamais lhe pedissem futilidades ou o que seja além de suas atribuições, ninguém daria acesso aos Espíritos mistificadores. Do que se conclui que só é mistificado aquele que merece.
Os Espíritos não estão incumbidos de vos instruir nas coisas deste mundo, mas de vos guiar com segurança naquilo que vos possa ser útil para o outro. Quando vos falam das coisas daqui é por considerarem isso necessário, mas não porque o pedis. Se quiserdes ver nos Espíritos os substitutos dos adivinhos e dos feiticeiros, então sereis mistificados.
Se bastasse aos homens dirigir-se aos Espíritos para tudo saberem, perderiam o livre arbítrio e sairiam dos desígnios traçados por Deus para a Humanidade. O homem deve agir por si mesmo. Deus não envia os Espíritos para lhe aplainarem a rota da vida material, mas para lhe prepararem a do futuro.
- Mas há pessoas que nada pedem e são indignamente logrados por Espíritos que se manifestam espontaneamente, sem que os evoquem.
- Se nada pedem, aceitam o que dizem, o que dá na mesma.
Se recebessem com reserva e desconfiança tudo o que se afasta do objetivo essencial do Espiritismo, os Espíritos levianos não as enganariam tão facilmente.

2. Porque Deus permite que as pessoas sinceras, que aceitam de boa fé o Espiritismo, sejam mistificadas? Isso não poderia acarretar o inconveniente de lhes abalar a crença?
- Se isso lhes abalasse a crença, seria por não terem a fé bastante sólida. As pessoas que abandonassem o Espiritismo por um simples desapontamento provariam não o haver compreendido, não se terem apegado ao seu aspecto sério. Deus permite as mistificações para provar a perseverança dos verdadeiros adeptos e punir os que fazem do Espiritismo um simples meio de divertimento. “O ESPÍRITO DA VERDADE.” (L.M. n° 303)

Bibliografia:
KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns: 1ª parte – Cap. III e 2ª parte – Cap. XXVII - n° 303 e Cap. XXVIII item 314
XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). O Consolador: Perg. 401
LEX, Ary. Do Sistema Nervoso à Mediunidade
PIRES, Herculano. O Espírito e o Tempo: 1ª parte -Horizonte Tribal
PERALVA, Martins. Estudando a Mediunidade: Cap. XL
XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Nos Domínios da Mediunidade: Cap. 27 - Mediunidade Transviada.

PARTE B - O HOMEM NO MUNDO

Constitui clamoroso erro o homem viver no mundo isolado ou enclausurado, julgando, assim, evitar as contaminações nele prevalecentes. Quem assim procede desconhece que o verdadeiro mérito consiste em viver em contato com todas as situações que o mundo oferece sem, entretanto, deixar-se atingir por aquelas que são negativas para o seu aprimoramento moral e espiritual.
Jesus Cristo representa um modelo para toda a Humanidade. Ele desempenhou o seu sublime Messiado, defrontando-se com pecadores de todos os matizes, tendo, então, a oportunidade de lhes ensinar o caminho mais curto para atingirem a reforma interior, através de preceitos altamente consoladores e misericordiosos.
O homem deve purificar seus sentimentos, não permitindo jamais que em sua mente permaneçam pensamentos mundanos ou fúteis, ficando, assim, a salvo das imoralidades e dos desregramentos, que geralmente conduzem ao descalabro espiritual.
A perfeição do Espírito é conseguida principalmente tendo por esteio "a prática da caridade sem limitações, cabendo aqui salientar que os deveres da caridade abrangem todas as posições sociais, desde as mais ínfimas até as mais elevadas".
Isolando-se do mundo, o homem perde todas as oportunidades de exercer a caridade, pois somente num contato mais estreito com seus semelhantes, no decurso dos duros embates da vida terrena, ele encontra meios e encontra modos de praticá-la. “Aquele que se enclausura repele, voluntariamente, o mais eficiente e poderoso meio de conquistar a perfeição, pois, pensando unicamente em si, o egoísmo avassala o seu coração” e ele se torna inapto para conquistas mais relevantes, capazes de apressar a sua caminhada evolutiva rumo ao Criador de todas as coisas.
A prática das virtudes santificantes enobrece e eleva os Espíritos, preparando-os para o acesso aos Planos Superiores da Espiritualidade. A prática sadia da virtude não consiste em tornar-se lúgubre, contristado, repelindo os gozos nobres que as condições humanas oferecem, sem que seja um incentivo à prática do mal.
No mundo, muitas pessoas religiosas costumam isolar-se do mundo exterior, vivendo em mosteiros, mortificando-se e produzindo dores e sofrimentos voluntários, acreditando que, com essa prática, se aproximam mais rapidamente de Deus. Puro engano, porque assim procedendo, estarão perdendo belas oportunidades de praticar o bem.
Se Jesus, quando veio desempenhar o seu fulgurante Messiado, tivesse se fechado num retiro, não teria proporcionado à Humanidade a oportunidade ímpar de tomar conhecimento dos seus atos, e da maravilhosa Doutrina contida nas páginas do seu Evangelho.
De forma idêntica, "não se deve jamais imaginar que para viver em constante contato com o Mundo Maior, sob as vistas de Deus, seja necessário entregar-se ao cilício, às adorações exteriores ou mesmo cobrir de cinzas o corpo", como se fazia em remoto passado. Isso de nada aproveita ao Espírito que desfruta de um processo evolutivo.
Aquele que pratica um ato mau, e arrepende-se sinceramente, sempre tem a oportunidade de novos começos, na pauta da lei da reencarnação, pois o Pai não quer que nenhum de seus filhos se perca.
O homem no mundo deve procurar pautar seus atos seguindo as normas trazidas por Jesus, lembrando sempre que a Lei Maior é: "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo".

Bibliografia:
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo: Cap. XVII, item 10

Questões para reflexão:

1) Relacione os meios que devem ser usados para que o trabalhador espírita não seja enganado.
2) Explique as conseqüências desagradáveis das mistificações.
3) Análise a frase: "o homem no mundo deve procurar pautar seus atos seguindo as normas trazidas por Jesus."
4) Comente sucintamente sobre o pensamento do homem que prefere viver no isolamento.

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COEM, 2º ano – AULA 6 - PARTE A                      10/01/2013
COMUNICAÇÃO ANÍMICA - XENOGLOSSIA

O termo animismo tem como raiz etimológica a palavra anima, do latim, que significa alma. Conforme o conceito adotado na Codificação, alma é um Espírito encarnado. Este termo animismo foi proposto por Aksakof, que diz: "Para maior brevidade, proponho designar pela palavra animismo todos os fenômenos intelectuais e físicos que deixam supor uma atividade extracorpórea ou à distância do organismo humano e mais especialmente todos os fenômenos mediúnicos que podem ser explicados pela ação que o homem vivo exerce além dos limites do corpo".

Os fenômenos espíritas podem ser classificados em 3 categorias:
1° - Anímicos > as manifestações que decorrem da alma do médium.
2° - Mediúnicos > as manifestações que decorrem da ação de um Espírito desencarnado através de um médium.
3° - Mistos > Anímicos e Mediúnicos > derivados dos dois primeiros.

No livro "Nos Domínios da Mediunidade" de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito de André Luiz, no Cap. 22, Emersão do Passado, afirma que muitos espíritas vêm convertendo a teoria animista num travão injustificável a lhes congelarem preciosas oportunidades de realização do bem, não cabendo adotar a palavra "mistificação" inconsciente ou subconsciente no lugar da palavra animismo.

Muitos companheiros se mostram incapazes de remover os obstáculos criados pelo animismo, destruindo, assim, magnífica oportunidade de ajudarem elementos que, buscando as casas espíritas nessas condições, poderiam, posteriormente, contribuir em favor dos necessitados.

De fato que, os fenômenos anímicos são aqueles em que o médium, sem nenhuma idéia preconcebida de mistificação, recolhe impressões do pretérito e as transmite, como se por ele mesmo um Espírito estivesse comunicando.

Os fatos mediúnicos, propriamente ditos, são aqueles em que o médium é, apenas, um veículo a receber e transmitir as idéias dos Espíritos desencarnados ou encarnados
Manifestação Mediúnica entre encarnados: uma pessoa encarnada também pode determinar uma comunicação mediúnica, isto é, fazer o sensitivo lhe assimile as ondas mentais e as reproduza pela escrita ou pela palavra.
Pela lei de sintonia, pessoas adormecidas igualmente podem provocar comunicações mediúnicas, uma vez que, enquanto dormimos, nosso Espírito se afasta do corpo e age sobre terceiros, segundo os nossos sentimentos, desejos e preferências.

Na Codificação, não encontramos o termo animismo. Nem os Espíritos nem Allan Kardec dele se serviram, porquanto ele só surgiu mais tarde, proposto por Alexandre Aksakof, como vimos acima. Mas, nem por isso, os fenômenos anímicos deixaram de ser ali mencionados e estudados, tendo sido objeto de todo o capítulo VIII, da 2ª parte, do Livro dos Espíritos, onde podemos citar o sumário das seguintes matérias:
1- O sono e os sonhos.
2- Visitas espíritas entre pessoas vivas.
3- Transmissão oculta do pensamento.
4- Letargia, catalepsia. Mortes Aparentes.
5- Sonambulismo.
6- Êxtase.
7- Dupla vista.
8- Resumo teórico do sonambulismo.

No Livro dos Médiuns, também são estudados fenômenos anímicos, a saber:
A- No capítulo VI - 2ª parte, Kardec trata da bicorporeidade, da transfiguração e invisibilidade, das aparições entre pessoas vivas, dos homens duplos (citando e analisando fatos da vida de Santo Afonso de Liguóri, Santo Antônio de Pádua e Vespasiano).
B- Nos capítulos XIX e XX, ainda na 2ª parte, ele estuda o papel dos médiuns nas comunicações espíritas, perquirindo sobre a influência do Espírito do médium nessas comunicações e ainda cogita das evocações de pessoas vivas e da telegrafia humana, que, como sabemos, são fatos anímicos.

COEM, 2º ano, AULA 6 – PARTE A (continuação)                                  

O Espírito é uma individualidade imortal, o seu psiquismo global é uno; porém, a sua memória inconsciente armazena os registros de cada encarnação em faixas próprias e distintas, embora formando um todo no seu conjunto. Esses registros constituem a bagagem psíquica do indivíduo. Em cada encarnação, o Espírito vive determinada personalidade com seus caracteres próprios, quer os antropológicos, quer os psicológicos e morais. A reencarnação do Espírito, a personalidade da encarnação anterior fica registrada na memória do pretérito do inconsciente, não mais aflorando ao plano da consciência, a não ser acidentalmente, sob um influxo detonador psíquico, cuja natureza é variável. Quando isso acontece e a personalidade anterior se manifesta, ocorre um fato anímico, como o relatado por André Luiz, no livro citado.

Nos casos de reuniões mediúnicas, onde apresentem médiuns com manifestações anímicas, com a emersão no passado, os dirigentes e colaboradores, devem tratar o caso com a mesma atenção e carinho que se ministra aos Espíritos sofredores que se comunicam. Em tais casos, a manifestação anímica constitui uma verdadeira catarse (em psicologia é a libertação de um trauma, de uma lembrança desagradável), e o esclarecimento munido de recursos evangélicos com um sentido edificante e construtivo é primordial, pois, o médium também é um Espírito imortal, solicitando-nos concurso e entendimento para que se lhe restabeleça a harmonia. Um doutrinador sem tato fraterno apenas lhe agravaria o problema, diante do seu padecimento moral, porque a pretexto de servir à verdade, talvez lhe impusesse corretivo inoportuno ao invés de socorro providencial. Primeiro, é preciso remover o mal, para depois fortificar a vítima na sua própria defesa. Um vaso defeituoso pode ser consertado e restituído ao serviço.
Ademais, quantos mendigos arrastam na terra o esburacado manto da fidalguia efêmera que envergaram outrora! ... Quantos escravos da necessidade e da dor trazem consigo a vaidade e o orgulho dos poderosos senhores que já foram em outras épocas. Quantas almas conduzidas à ligação consanguínea caminham do berço ao túmulo, transportando quistos invisíveis de aversão e ódio aos próprios parentes, que lhes foram duros adversários em existências pregressas! ... Todos nós podemos cair em semelhantes estados se não aprendemos a cultivar o esquecimento do mal, em marcha incessante do bem! ... Sendo assim, o dirigente ou o colaborador usarão sempre do carinho fraterno, fazendo que as suas palavras, sejam dirigidas ao Espírito do próprio médium, porque a consolação e a prece, seguidas do esclarecimento edificante, são os recursos aplicáveis ao caso.
XENOGLOSSIA (ou Glossolalia) > O termo "xenoglossia" foi o professor Richet quem o propôs, com o intuito de distinguir, de modo preciso, a mediunidade poliglota propriamente dita, pela qual os médiuns falam ou escrevem em línguas em que eles ignoram totalmente na presente encarnação e, às vezes, ignoradas de todos os presentes.
Ernesto Bozzano, em sua monografia sobre o assunto esclarece que a mediunidade poliglota pode ser classificada da seguinte maneira:
A - Falante (psicofonia)
B - Audiente
C - Escrevente (psicografia ou tiptologia)
D - Voz direta
E - Escrita direta

O médium fala em qualquer idioma, seja em inglês ou francês, latim ou hebraico, sem conhecer essas línguas na atual encarnação.
Porém, não são apenas os tratados e monografia que registram tais fenômenos. O Antigo e o Novo Testamento são ricos em comunicações xenoglóssicas. Como por exemplo, a explosão de Pentecostes.
A mediunidade poliglota tem a sua causa no recolhimento de valores intelectuais do passado, os quais repousam na subconsciência do sensitivo, ou médium. Ela decorre, primordialmente, de um simples fenômeno de sintonia no tempo que é o processo pelo qual a mente humana, ligando-se ao pretérito distante, provoca a emersão, das profundezas do subconsciente, de expressões variadas e formas diversas que ali estão adormecidas. A subconsciência é o "porão da individualidade".
Lá se encontram arquivados todos os valores intelectuais e conquistas morais acumulados em várias reencarnações, como fruto natural de sucessivas experiências evolutivas. Só pode ser médium poliglota aquele que já conheceu, noutros tempos, o idioma pelo qual se expresse durante o transe.

Bibliografia:
XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Seara dos Médiuns: Lição 44
BOZZANO, Ernesto. Xenoglossia
XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Mecanismos da Mediunidade: Cap. XXIII
KARDEC, Allan.  O Livro dos Médiuns: 2ª parte - Caps. VI, XIX e XX
PERALVA, Martins. Estudando a Mediunidade: Caps. XXXVI e XXXVIII                      

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COEM, 2º ano – AULA 6 - PARTE A - anexo

LIVRO DOS MÉDIUNS - Cap. 7 – 
BICORPOREIDADE E TRANSFIGURAÇÃO
 Aparições de Espíritos de Vivos, Homens Duplos, Santo Afonso de Liguori e Santo Antonio de Pádua,
Vespasiano, Transfiguração, Invisibilidade
                                                                  
        114 – Esses dois fenômenos são variedades de manifestações visuais..

Sabemos que o Espírito, durante o sono, recobra em parte a sua liberdade, ou seja, que ele se afasta do corpo. E é nesse estado que muitas vezes temos a ocasião de observá-lo. Mas o Espírito, tanto do vivo quanto do morto, tem sempre o seu envoltório seminatural, que pelas mesmas causas já referidas pode adquirir a visibilidade e a tangibilidade. Há casos bastante positivos que não podem deixar nenhuma dúvida a esse respeito. Citaremos somente alguns exemplos de nosso conhecimento pessoal, cuja exatidão podemos garantir, pois todos estão em condições de acrescentar outros, recorrendo às suas lembranças.

115. A mulher de um nosso amigo viu repetidas vezes, durante a noite, entrar no seu quarto, com luz acessa ou no escuro, uma vendedora de frutas da vizinhança que ela conhecia de vista, mas com a qual nunca havia falado. Essa aparição a deixou muito apavorada, tanto mais que a senhora, na época, nada conhecia de Espiritismo e o fenômeno se repetia com freqüência. A vendedora estava perfeitamente viva e de certo dormia naquela hora. Enquanto o seu corpo material estava em casa, seu Espírito e seu corpo fluídico estavam na casa da senhora. Qual o motivo? Não se sabe. Nesse caso, um espírita já experimentado lhe teria feito a pergunta, mas a senhora nem sequer teve essa idéia. A aparição sempre se desfazia sem que ela soubesse como, e sempre, após o seu desaparecimento, ela ia ver se todas as portas estavam bem fechadas, assegurando-se de que ninguém poderia ter entrado no seu quarto.

Essa precaução mostra que ela estava bem acordada e não era iludida por um sonho. De outra vez ela viu, da mesma maneira, um homem desconhecido, mas um dia viu seu irmão, que então se encontrava na Califórnia. A aparência era tão real que, no primeiro momento, pensou que ele havia regressado e quis falar-lhe, mas ele desapareceu sem lhe dar tempo. Uma carta recebida depois lhe provou que ele não havia morrido. Esta senhora era o que se pode chamar um médium vidente natural. Mas nessa época, como já dissemos, ela nunca ouvira falar de médiuns.

116. Outra senhora que reside na província, estando gravemente enferma, viu certa noite, cerca das dez horas, um senhor idoso da sua mesma cidade, que encontrava às vezes na sociedade mas com o qual não tinha intimidade. Estava sentado numa poltrona ao pé da sua cama e de vez em quando tomava uma pitada de rapé. Parecia velar por ela. Surpresa com essa visita àquela hora, quis perguntar-lhe o motivo, mas o senhor lhe fez sinal para não falar e dormir. Várias vezes tentou falar-lhe, e de cada vez ele repetia a recomendação. Acabou por adormecer.

Alguns dias depois, já restabelecida, recebeu a visita do mesmo senhor, mas em hora conveniente e de fato em pessoa. Estava vestido da mesma maneira, com a mesma tabaqueira e precisamente com os mesmos gestos. Certa de que ele a visitara durante a doença, agradeceu-lhe o trabalho que tivera. O senhor, muito espantado, disse que há tempos não tinha o prazer de vê-la. A senhora que conhecia os fenômenos espíritas, compreendeu o que se passara, mas não querendo entrar em explicações a respeito, contentou-se em dizer que provavelmente sonhara.

O provável é isso, dirão os incrédulos, os espíritos fortes, os que por essa expressão entendem pessoas esclarecidas. Mas o que consta é que essa senhora não dormia tanto como a outra. – Então sonhava acordada, ou seja, teve uma alucinação. – Eis a palavra final,a explicação de tudo o que não se compreende. Como já refutamos suficientemente essa objeção, prosseguiremos para aqueles que podem compreender-nos.

117. Eis, porém, um caso mais característico, e gostaríamos de ver como se poderia explicá-lo por um simples jogo de imaginação.

Um senhor, residente na província, jamais quis se casar, malgrado as instâncias da família. Haviam principalmente insistido a favor de uma jovem de cidade vizinha, que ele nunca vira. Certo dia, em seu quarto, foi surpreendido com a presença de uma jovem vestida de branco, a fonte ornada por uma coroa de flores. Ela lhe disse que era a sua noiva, estendeu-lhe a mão, que ele tomou nas suas e notou que tinha um anel. Em poucos instantes tudo desapareceu. Surpreso com essa aparição, e seguro de que estava bem acordado, procurou informar-se se alguém havia chegado durante o dia . Responderam-lhe que ninguém fora visto na casa.

Um ano depois, cedendo a novas solicitações de um parente, decidiu-se a ir ver aquela que lhe propunham. Chegou no Dia de Corpus-Christi. Todos voltavam da procissão e uma das primeiras pessoas que viu, ao entrar na casa, foi uma jovem que reconheceu como a que lhe aparecera. Estava vestida da mesma maneira, pois o dia da aparição havia sido também o de Corpus-Christi. Ficou atônito, e a moça, por sua vez, gritou de surpresa e sentiu-se mal. Voltando a si, ela explicou que já vira aquele senhor, nesse mesmo dia, no ano anterior. O casamento se realizou. Estava-se em 1835. Nesse tempo não se tratava dos Espíritos, e além disso ambos são pessoas extremamente positivas, dotadas da imaginação menos exaltada que pode haver no mundo.

Poderão dizer que ambos estavam tocados pela idéia da união proposta e que essa preocupação provocou uma alucinação. Mas não se deve esquecer que o futuro marido permanecera tão indiferente ao caso, que passou um ano sem ir ver a noiva que lhe ofereciam. Mesmo admitindo-se essa hipótese, restaria a explicar a semelhança da aparição, a coincidência das vestes com o Dia de Corpus-Christi, e finalmente o reconhecimento físico entre pessoas que jamais se haviam visto, circunstâncias que não podem ser produzidas pela imaginação.(1)

118. Antes de prosseguir, devemos responder a uma pergunta que inevitavelmente será feita: como o corpo pode viver enquanto o Espírito se ausenta? Poderíamos dizer que o corpo se mantém pela vida orgânica, que independe da presença do Espírito, como se prova pelas plantas, que vivem e não têm Espírito.Mas devemos acrescentar que, durante a vida, o Espírito jamais se retira completamente do corpo.

Os Espíritos, como alguns médiuns videntes, reconhecem o Espírito de uma pessoa viva por um traço luminoso que termina no seu corpo, fenômeno que jamais se verifica se o corpo estiver morto, pois então a separação é completa. É por meio dessa ligação que o Espírito é avisado, a qualquer distância que estiver, da necessidade de voltar ao corpo, o que faz com a rapidez do relâmpago. Disso resulta que o corpo nunca pode morrer durante a ausência do Espírito e que nunca pode acontecer que o Espírito, ao voltar, encontre a porta fechada, como tem dito alguns romancistas em estórias para recrear. (O Livro dos Espíritos, nº 400 e seguintes).

119. Voltemos ao nosso assunto. O espírito de uma pessoa viva, afastado do corpo, pode aparecer como o de um morto, com todas as aparências da realidade. Além disso, pelos motivos que já explicamos, pode adquirir tangibilidade momentânea. Foi esse fenômeno, designado por bicorporeidade, que deu lugar às estórias de homens duplos, indivíduos cuja presença simultânea se constatou em dois lugares diversos. Eis dois exemplos tirados, não das lendas populares, mas da História Eclesiástica.

Santo Afonso de Liguori foi canonizado antes do tempo exigido por se haver mostrado simultaneamente em dois lugares diferentes, o que passou por milagre.

Santo Antonio de Pádua estava na Espanha e no tempo em que ali pregava, seu pai, que se encontrava em Pádua, ia sendo levado ao suplício, acusado de assassinato. Nesse momento Santo Antonio aparece, demonstra inocência do pai e dá a conhecer o verdadeiro criminoso que, mais tarde sofreu o castigo. Constatou-se que naquele momento Santo Antonio não havia deixado a Espanha. Santo Afonso, evocado e interrogado por nós sobre o fato referido, deu as seguintes respostas.(2)

1. Poderias dar-nos a explicação desse fenômeno?

— Sim. Quando o homem se desmaterializou completamente por sua virtude, tendo elevado sua alma a Deus, pode aparecer em dois lugares ao mesmo tempo. Eis como: o Espírito encarnado, sentindo chegar o sono, pode pedir a Deus para se transportar a algum lugar. Seu Espírito ou sua alma, como quiseres, abandona então o corpo, seguido de uma porção do seu perispírito, e deixa a matéria imunda num estado vizinho da morte. Digo vizinho da morte porque o corpo permanece ligado ao perispírito e a alma à matéria, por um liame que não pode ser definido.O corpo aparece então no lugar pedido. Creio que é tudo o que desejas saber.

2. Isso não nos dá a explicação da visibilidade e da tangibilidade do perispírito?

— Estando desligado da matéria, segundo o seu grau de elevação o Espírito pode se tornar tangível à matéria.

3. É indispensável o sono do corpo para o aparecimento do Espírito em outros lugares?

— A alma pode se dividir quando se deixa levar para longe o corpo. Pode ser que o corpo não durma,embora seja isso muito raro, mas então estará em perfeita normalidade. Estará sempre mais ou menos em êxtase. (3)

Nota de Kardec: A alma não se divide, no sentido literal da palavra. Ela irradia em várias direções e pode assim manifestar-se em muitos lugares, sem se fragmentar. É o mesmo que se dá com a luz ao refletir-se em muitos espelhos.

4. Estando um homem mergulhado no sono, enquanto seu Espírito aparece ao longe, que aconteceria se fosse subitamente despertado?

— Isso não aconteceria, porque se alguém tivesse a intenção de acordá-lo o Espírito voltaria ao corpo, antecipando a intenção, pois o Espírito lê o pensamento.

Explicação inteiramente idêntica nos foi dada muitas vezes por Espíritos de pessoas mortas ou vivas. Santo Afonso explica o fato da presença dupla, mas não oferece a teoria da visibilidade e da tangibilidade.

120. Tácito refere um caso semelhante:

Durante os meses que Vespasiano passou em Alexandria, esperando a volta periódica dos ventos estivais e da estação em que o mar oferece segurança, muitos prodígios aconteceram, pelos quais se manifestou a proteção do céu e o interesse dos deuses por aquele príncipe.

Esses prodígios aumentaram o desejo de Vespasiano de visitar a morada do Deus para consultá-lo a respeito do Império. Ordenou que o templo fosse fechado para todos. Entrou e estava inteiramente atento ao que o oráculo ia pronunciar, quando percebeu atrás dele um dos egípcios mais importantes, chamado Basilido, que ele sabia estar doente em lugar distante muitos dias de Alexandria. Perguntou aos sacerdotes se Basilido viera ao templo naquele dia, informou-se com os transeuntes se o tinham visto na cidade e por fim enviou homens a cavalo e assegurou-se de que, naquele momento, ele se encontrava a oitenta milhas de distância. Então não teve mais dúvidas de que a visão era sobrenatural e o nome de Basilido ficou sendo para ele um oráculo.(Tácito, Histórias, livro IV, caps. 81 e 82 traduço de Burnouf.)(4)

121. A pessoa que se mostra simultaneamente em dois lugares diversos tem portanto dois corpos. Mas desses corpos só um é real, o outro não passa de aparência. Pode-se dizer que o primeiro tem a vida orgânica e o segundo a anímica. Ao acordar os dois corpos se reúnem e a vida anímica penetra o corpo material. Não parece possível, pelo menos não temos exemplos, e a razão parece demonstrar que, quando separados, os dois corpos possam gozar simultaneamente e no mesmo grau da vida ativa e inteligente. Ressalta, ainda, do que acabamos de dizer, que o corpo real não poderia morrer enquanto o corpo aparente permanece visível: a aproximação da morte chama sempre o Espírito para o corpo, mesmo que só por um instante. Disso resulta também que o corpo aparente não poderia ser assassinado, pois não é orgânico e nem formado de carne e osso: desaparece no momento em que se quiser matá-lo.(5)

122. Passemos a tratar do segundo fenômeno, o da transfiguração, que consiste na modificação do aspecto de um corpo de vivo. Eis, a respeito,um caso cuja perfeita autenticidade podemos garantir, ocorrido entre os anos de 1858 e 1859, nas cercanias de Saint-Étienne:

Uma jovem de uns quinze anos gozava da estranha faculdade de se transfigurar, ou seja, de tomar em dados momentos todas as aparências de algumas pessoas mortas. A ilusão era tão completa que se acreditava estar na presença da pessoa, tamanha a semelhança dos traços do rosto, do olhar, da tonalidade da voz e até mesmo das expressões usuais na linguagem. Esse fenômeno repetiu-se centenas de vezes, sem qualquer interferência da vontade da jovem. Muitas vezes tomou a aparência de seu irmão, falecido alguns anos antes, reproduzindo-lhe não somente o semelhante, mas também o porte e a corpulência.

Um médico local, que muitas vezes presenciara esses estranhos fenômenos, querendo assegurar-se de que não era vítima de ilusão, fez interessante experiência. Colhemos a informações dele mesmo, do pai da moça e de muitas outras testemunhas oculares, bastante honradas e dignas de fé. Teve ele a idéia de pesar a jovem no seu estado normal e durante a transfiguração, quando ela tomava aparência do irmão que morrera aos vinte anos e era muito maior e mais forte do que ela. Pois bem: verificou que na transfiguração o peso da moça era quase o dobro.

A experiência foi conclusiva, sendo impossível atribuir a aparência a uma simples ilusão de óptica. Tentemos explicar esse fato, que sempre foi chamado de milagre mas que chamamos simplesmente de fenômeno.

123. A transfiguração pode ocorrer, em certos casos, por uma simples contração muscular que dá à fisionomia expressão muito diferente, a ponto de tornar a pessoa irreconhecível. Observamo-la freqüentemente com alguns sonâmbulos. Mas, nesses casos, a transformação não é radical. Uma mulher poderá parecer jovem ou velha, bela ou feia, mas será sempre mulher e seu peso não aumentará nem diminuirá. No caso de que tratamos é evidente que há algo mais. A teoria do perispírito nos vai pôr no caminho.

Admite-se em princípio que o Espírito pode dar ao seu perispírito todas as aparências. Que por uma modificação das disposições moleculares, pode lhe dar a visibilidade, a tangibilidade e em conseqüência a opacidade. Que o perispírito de uma pessoa viva, fora do corpo pode passar pelas mesmas transformações e que essa mudança de estado se realiza por meio da combinação dos fluidos.

Imaginemos então o perispírito de uma pessoa viva, não fora do corpo, mas irradiando ao redor do corpo de maneira a envolvê-lo como uma espécie de vapor. Nesse estado ele pode sofrer as mesmas modificações de quando separado. Se perder transparência, o corpo pode desaparecer, tornar-se invisível, velar-se como se estivesse mergulhado num nevoeiro. Poderá mesmo mudar de aspecto, ficar brilhante, de acordo com a vontade ou o poder do Espírito. Outro Espírito, combinando o seu fluido com esse, pode substituir a aparência dessa pessoa, de maneira que o corpo real desapareça, coberto por um envoltório físico exterior cuja aparência poderá variar como o Espírito quiser.

Essa parece ser a verdadeira causa do fenômeno estranho — e raro, convém dizer, — da transfiguração. Quanto à diferença de peso, explica-se da mesma maneira que a dos corpos inertes. O peso do próprio corpo não varia, porque a sua quantidade de matéria não aumenta, mas o corpo sofre a influência de um agente exterior que pode aumentar-lhe ou diminuir-lhe o peso relativo, segundo explicamos nos números 78 e seguintes. É provável, portanto, que a transfiguração na forma de uma criança diminua o peso de maneira proporcional.

124. Concebe-se que o corpo possa tomar uma aparência maior que a sua ou das mesmas dimensões, mas como poderia tornar-se menor, do tamanho de uma criança, como acabamos de dizer? Nesse caso, o corpo real não deveria ultrapassar os limites do corpo aparente? Por isso não dizemos que o fato se tenha verificado, mas quisemos apenas mostrar, referindo-nos à teoria do peso específico, que o peso aparente poderia também diminuir.

Quanto ao fenômeno em si, não afirmamos nem negamos a sua possibilidade. No caso de ocorrer, o fato de não se poder explicá-lo satisfatoriamente não o infirmaria. É preciso não esquecer que estamos no começo desta ciência e que ela ainda está longe de haver dito sua última palavra sobre este ponto, como sobre muitos outros. Aliás, as partes excedentes do corpo poderiam perfeitamente ser tornadas invisíveis.

A teoria do fenômeno da invisibilidade ressalta naturalmente das explicações precedentes e das que se referem ao fenômeno de aportes, nº 96 e seguintes.(6)

125. Teríamos de falar do estranho fenômeno dos agêneres, que por mais extraordinário que possa parecer á primeira vista, não é mais sobrenatural do que os outros. Mas como já o explicamos na Revista Espírita (fevereiro de 1859) achamos inúteis repetir aqui os seus detalhes(7). Diremos apenas que é uma variedade de aparições tangíveis.

É uma condição em que certos Espíritos podem revestir momentaneamente as formas de uma pessoa viva, a ponto de produzir perfeita ilusão. (Do grego: a, privativo, e géine, géinomai, gerado: não-gerado)(8)

(1) Tenta-se hoje explicar os casos dessa natureza pela telepatia, como se vê no livro de Tyrrell. “Aparições”. Mas essas teorias parapsicológicas são apenas tentativas de escapar à explicação espírita e se tornam ridículas pelos expedientes absurdos de que têm de servir-se. Como notou o prof. Harry Price, da Universidade de Oxtord, Inglaterra, o próprio Tyrrell reconhece que sua teoria “deixa grande quantidade de casos sem explicar”. Isso no prefácio do livro. Na verdade, só a teoria explica até hoje, todos os casos, sem as incongruências dessas hipóteses engenhosas, como Price chamou a de Tyrrell. (Ver: Apparitions, G. N. M Tyrrell, Pantheon Books, New York, 1952, ou tradução castelhana: Apariciones, Editorial Paidós, Buenos Aires, 1965, versão de Juan Rojo. (N. do T.)

(2) Os Espíritos elevados não se recusam a ensinar os que sinceramente desejam aprender. A evocação é um apelo humilde e não uma fórmula exigente, Kardec só fazia as evocações que fossem aprovadas pelo guia da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, que era São Luis. Veja-se, na Revista Espírita, a secção Palestras Familiares de Além túmulo e a secção de boletins dos trabalhos da Sociedade. (N. do T.)

(3) Ernesto Bozzano relata casos de comunicações por psicografia ou aparição de pessoas em estado de vigília,mas sempre em momentos de distração ou cochilo. As pesquisas parapsicológicas atuais consideram esses casos como de telepatia, mas sempre admitindo um estado de inconsciência ou semiconsciência como condição necessária. Muitos parapsicólogos já admitem o fenômeno de “projeção do eu” que corresponde à irradiação da alma, de que trata Kardec na nota seguinte à explicação de Santo Afonso. (N. do T.)

(4) Este episódio histórico adquire maior importância quando sabemos que os egípcios se dedicavam a práticas de desdobramento ou “projeção do eu”, servindo-se até mesmo de drogas alucinógenas em seus templos. Experiências atuais confirmam esses fatos. (N. do T.)

(5) Ver na Revista Espírita de janeiro de 1859 o artigo O Duende de Bayonne; de maio de 1859, O Liane entre o Espírito e o corpo; de novembro de 1859, A alma errante; de janeiro de 1860. Espírito de um lado e corpo de outro; março de 1860, Estudos sobre o Espírito de pessoas vivas, o doutor V e a senhorita I; de abril de 1860, o fabricante de São Petersburgo, aparições tangíveis; de novembro de 1860, História de Maria d´Agreda; de julho de 1861, Uma aparição providencial. (Nota de Allan Kardec)

(6) Há numerosos casos de observação de uma máscara transparente sobre o rosto do médium, reproduzindo o rosto do Espírito comunicante. Observamos um desses casos em 1946, em São Paulo, com o médium Urbano de Assis Xavier. Nesses casos, como se vê, acima, a máscara se torna pela combinação fluídica do perispírito do médium com o do Espírito comunicante. É fenômeno de sintonia e não de penetração do Espírito no corpo do médium. (N. do T.)

(7) Como se vê, a teoria dos agêneres se encontra apenas na Revista Espírita, o que ressalta a importância dessa coleção de Kardec, somente agora publicada em nossa língua. (N. do T.)

(8) Estas explicações de Kardec foram posteriormente confirmadas por numerosas experiências científicas e ocorrências espontâneas, em toda as partes do mundo. Nada a não ser hipóteses gratuitas, que caíram sucessivamente por si mesmas, até hoje pôde contradizer as teorias, apresentadas neste capítulo. As experiências metapsíquicas, desde as realizadas pelo prof. Karl Friedrik Zolner, da Universidade de Leipzig, na Alemanha, com notável, equipe de pesquisadores, até as experiências famosas de Richet, Gustave Geley, Eugene Osty, Paul Gibier, na França, explica-se por estas teorias. Recentemente, no campo das pesquisas parapsicológicas, mais restritas e cautelosas, a confirmação vem se fazendo da mesma maneira. As experiências de Soal e Wathely Carington, na Universidade de Cambridge, Inglaterra, com levitação e voz-direta; as de Harry Price, da Universidade de Oxford, com telecinesia (movimento, ocultação e reaparecimento de objetos); os relatos de Louise Rhine, de Duke University, EUA, sobre “alucinações visuais referentes a mortos” e os de Karl Gustav Jung no mesmo sentido provam isso. (N. do T.)


AULA 6 - PARTE B
              MUITO SE PEDIRÁ ÀQUELE QUE MUITO RECEBEU

"O servidor que soube a vontade de seu senhor e que, todavia, não estiver preparado e não tiver feito o que esperava dele, será batido rudemente; mas aquele que não soube sua vontade, e que tiver feito coisas dignas de castigo, será menos punido. Muito se pedirá àqueles a quem se tiver muito dado, e se fará prestar maiores contas àqueles a quem se tiver confiado mais coisas". Lucas, XII:47 e 48
Todo aquele que conhece os ensinamentos do Cristo é culpável, seguramente, de não os praticar. Se faz necessário, diante do Evangelho, possuir uma postura de verdadeiro cristão, aproveitando os preceitos de Jesus para o adiantamento espiritual, para que cada coração seja tocado pela humildade, altruísmo, desapego dos bens materiais e acima de tudo amor ao próximo e amor a Deus.
Os médiuns que obtêm boas comunicações são ainda mais repreensíveis em persistir no mal, porque, frequentemente, escrevem sua própria condenação e, se não estivessem cegos pelo orgulho, reconheceriam que é a eles que os Espíritos se dirigem. Mas em lugar de tomar para eles as lições que escrevem, seu único pensamento é de as aplicar aos outros, realizando assim estas palavras de Jesus: "Vedes um argueiro no olho do vosso irmão, e não vedes a trave que está no vosso". Ou ainda, por estas outras palavras: "Se fôsseis cegos não teríeis pecado".
Jesus quer dizer que a culpabilidade está em razão do conhecimento que se possui; pois, os Fariseus, que tinham a pretensão de ser, e que eram a parte mais esclarecida da nação, eram mais repreensíveis aos olhos de Deus do que o povo ainda menos esclarecido.
Ocorre o mesmo hoje.
Aos espíritas será pedido muito, porque receberam muito, mas, também, àqueles que tiverem aproveitado, será dado muito. O primeiro pensamento de todo espírita sincero deve ser o de procurar, nos conselhos dados pelos Espíritos, se não há alguma coisa que possa lhe dizer respeito. O Espiritismo vem multiplicar o número dos chamados; pela fé que proporciona, multiplicará também o número dos escolhidos.
O cristão é sempre chamado a servir em toda parte. Na casa do sofrimento, ministrará consolação. Na toca das trevas, acenderá a luz. No confronto com o ódio, multiplicará as bênçãos do amor. Na praça da maldade, dispensará o bem. Em todos os ângulos do caminho, encontraremos sugestões do Senhor, desafiando-nos a servir.
Ao portador da responsabilidade mediúnica, inquire Jesus pela aplicação dos talentos que lhe foram confiados. A cada criatura que desperta em mais altos níveis da fé raciocinada, soa a interpelação do Senhor: "Que buscais?" é um verdadeiro convite às obras em que se afirme a caridade real.
Assim, é nossa a responsabilidade de escutar no íntimo, em cada lance das nossas atividades, a palavra do Condutor Divino, convocando-nos à coerência entre o ideal e o esforço, entre a promessa e a realização. Analisar o que fazemos, observar o que dizemos, meditar em torno das nossas aspirações mais ocultas.
Se a perturbação, por ventania gritante, rugir à nossa porta, não nos entreguemos aos pensamentos desordenados. É preciso parar e refletir. Se desatinos dessa ou daquela procedência visitam a nossa alma, busquemos o nosso íntimo e acendamos a luz da prece, reexaminando atitudes e reconsiderando problemas, entendendo que a renovação somente será verdadeira renovação para o bem se partir do nosso coração e do nosso pensamento.
A nossa felicidade, neste mundo ou no outro, depende da conquista da Virtude e da prática do Bem, ou seja, de nossos próprios méritos, erigindo assim, a responsabilidade pessoal em princípio fundamental de nossa filosofia de vida.
Preceitua o evangelho que "a cada um será dado segundo as suas obras".
Quando toda a humanidade pensar e agir deste modo, a Terra se transformará e o amor será uma realidade em todas as criaturas.

Bibliografia:
 KARDEC, Allan. Evangelho Segundo o Espiritismo: Cap. XVIII - item 10 a 14
BÍBLIA SAGRADA. Novo Testamento: Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, XII: 47 e 48
XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). O Espírito da Verdade: item 54
XAVIER, Francisco Cândido (Espírito André Luiz). Agenda Cristã: item 45
XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Livro da Esperança: item 57
CALLIGARIS, Rodolfo. Páginas de Espiritismo Cristão: item 52





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